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Solar Galeria de Arte Cinemática
19
sep.

19
sep.
2026
18h30
Bodies of water
Cecilia Bengolea

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* Performance no âmbito da exposição "Raw Rhythms", de Cecilia Bengolea, integrada no programa do 22.º Circular Festival de Artes Performativas *

Esta performance começa com uma pergunta simples: onde termina um corpo e começa uma paisagem?
Em vez de se limitar a ocupar um espaço, a intérprete entra num campo de trocas. O movimento torna-se uma forma de dissolver a distinção entre silhueta e fundo, permitindo ao corpo oscilar entre a visibilidade e o desaparecimento, entre a individualidade e a atmosfera. A camuflagem não é aqui entendida como imitação, mas como um estado de permeabilidade, no qual o corpo se compõe com a luz, a textura, a vegetação, a arquitectura, o vento e o som.
O trabalho afasta-se de uma concepção da identidade enquanto condição humana estável. Em seu lugar, propõe um corpo expansivo e polimorfo, que se transcende através do ritmo. A intérprete não é tanto uma figura singular, mas antes uma constelação transitória de movimentos, continuamente reconfigurada pelo meio que habita. A presença emerge da relação, e não da autonomia.
Como escreve Astrida Neimanis, «os nossos corpos são corpos de água». Esta proposição ultrapassa o seu sentido literal, na medida em que sugere que somos constituídos por fluxos, trocas e movimentos contínuos de circulação, e não por fronteiras fixas. A performance acolhe esta ontologia fluida, imaginando o corpo como uma ecologia porosa, cujos contornos se encontram em permanente negociação.
O que daí emerge nem é uma personagem nem uma representação, mas um organismo em ressonância com aquilo que o rodeia. A coreografia desenvolve-se através da sintonia, e não do domínio, propondo uma forma de corporeidade mais-que-humana, na qual o ritmo substitui a identidade, a transformação substitui a permanência e a relação se torna a principal forma de existência.
Camuflar-se não significa desaparecer. Significa tornar-se irredutível aos limites do próprio corpo — habitar um modo de existência colectivo, mutável e em contínua formação.
Como nos recorda Donna Haraway, «tornamo-nos-com [sic] os outros, ou não nos tornamos de todo». Esta noção de tornar-se-com ocupa um lugar central na performance. A identidade não é entendida como uma condição autónoma, mas como um processo de composição com o mundo vivo. A camuflagem não é, portanto, nem mimetismo nem desaparecimento: é um acto de harmonização. Através do movimento, o corpo entra em correspondência com o ambiente, até que a distinção entre sujeito e meio se torna porosa.
O trabalho propõe uma coreografia da permeabilidade, na qual o ritmo substitui a identidade e a relação substitui a hierarquia. O corpo expande-se para além de si próprio, tornando-se menos um indivíduo do que uma constelação de encontros - mutável, relacional e sempre em formação.
– Cecilia Bengolea


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* Performance no âmbito da exposição "Raw Rhythms", de Cecilia Bengolea, integrada no programa do 22.º Circular Festival de Artes Performativas *

Esta performance começa com uma pergunta simples: onde termina um corpo e começa uma paisagem?
Em vez de se limitar a ocupar um espaço, a intérprete entra num campo de trocas. O movimento torna-se uma forma de dissolver a distinção entre silhueta e fundo, permitindo ao corpo oscilar entre a visibilidade e o desaparecimento, entre a individualidade e a atmosfera. A camuflagem não é aqui entendida como imitação, mas como um estado de permeabilidade, no qual o corpo se compõe com a luz, a textura, a vegetação, a arquitectura, o vento e o som.
O trabalho afasta-se de uma concepção da identidade enquanto condição humana estável. Em seu lugar, propõe um corpo expansivo e polimorfo, que se transcende através do ritmo. A intérprete não é tanto uma figura singular, mas antes uma constelação transitória de movimentos, continuamente reconfigurada pelo meio que habita. A presença emerge da relação, e não da autonomia.
Como escreve Astrida Neimanis, «os nossos corpos são corpos de água». Esta proposição ultrapassa o seu sentido literal, na medida em que sugere que somos constituídos por fluxos, trocas e movimentos contínuos de circulação, e não por fronteiras fixas. A performance acolhe esta ontologia fluida, imaginando o corpo como uma ecologia porosa, cujos contornos se encontram em permanente negociação.
O que daí emerge nem é uma personagem nem uma representação, mas um organismo em ressonância com aquilo que o rodeia. A coreografia desenvolve-se através da sintonia, e não do domínio, propondo uma forma de corporeidade mais-que-humana, na qual o ritmo substitui a identidade, a transformação substitui a permanência e a relação se torna a principal forma de existência.
Camuflar-se não significa desaparecer. Significa tornar-se irredutível aos limites do próprio corpo — habitar um modo de existência colectivo, mutável e em contínua formação.
Como nos recorda Donna Haraway, «tornamo-nos-com [sic] os outros, ou não nos tornamos de todo». Esta noção de tornar-se-com ocupa um lugar central na performance. A identidade não é entendida como uma condição autónoma, mas como um processo de composição com o mundo vivo. A camuflagem não é, portanto, nem mimetismo nem desaparecimento: é um acto de harmonização. Através do movimento, o corpo entra em correspondência com o ambiente, até que a distinção entre sujeito e meio se torna porosa.
O trabalho propõe uma coreografia da permeabilidade, na qual o ritmo substitui a identidade e a relação substitui a hierarquia. O corpo expande-se para além de si próprio, tornando-se menos um indivíduo do que uma constelação de encontros - mutável, relacional e sempre em formação.
– Cecilia Bengolea


Ficha Técnica

A iniciativa realiza-se no âmbito da exposição Raw Rhythms, de Cecilia Bengolea, que resulta de uma parceria entre a Solar e o Circular Festival de Artes Performativas, e decorre na Solar Galeria de Arte Cinemática.
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