"Recriaturas" de João Rios"Recriaturas" de João Rios

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Largo Antero de Quental n.º 3 – 4480-820 Vila do Conde
31
oct.

—

31
dic.
2026
17h00
"Recriaturas" de João Rios
Exposição de poesia visual

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"Recriaturas" de João Rios
António Boaventura Pinto
A Casa Antero de Quental acolhe a exposição 'Recriaturas – Imagens sem dogmas nem tostões', de João Rios, poeta que trocou a caneta pela tesoura nesta incursão na arte da colagem e na criação poética visual.

João Rios é o pseudónimo do vilacondense Manuel Vasques, com mais de uma dezena de livros publicados, entre os quais 'No Fogo dos Outros', 'O Cão dos Dedos', 'Súmula da Negação', 'Livro das Legendas', 'Aprendizagem Balnear' ou 'O Osso da Tristeza'. Integra o Coletivo Silêncio da Gaveta e participa regularmente em eventos literários.

'Recriaturas' inaugura a 31 de outubro, pelas 17 horas, com um apontamento poético pelo Coletivo Silêncio da Gaveta. A entrada é livre.

. . . . .

A mão criminosa não existe, a mão não sabe o que faz. Ou melhor, sabe se a cabeça der essa informação ao Cão dos Dedos. O criador explica melhor quando conclui a Arrumação das Pedras, as palavras têm gente dentro e quando se revelam há sempre alguém que diz nada ou encontra outros substantivos. Este é o país dos cus de garrafa virados ao Sol e é por via disso que arde, consta que também a trovoada faz das suas e a e-redes também faísca. Somos todos inocentes ao ponto de acharmos que não há fósforos envolvidos nisto, nem gasolina que está ao preço das guerras, mas Não é Grave Ser Português. As velas ardem nos cemitérios para alumiar as almas que já não ardem. O artista é um fogareiro que se eleva entre Romeu e Julieta, e consegue Reter o Amor no Gancho do Talho, nasceu enfeitiçado No Fogo dos Outros e na alquimia do Ópio das Tempestades. No entanto, reserva-se aos anos em que perdeu o filtro e é bem capaz de suster a respiração ao observador pelo Osso da Tristeza. A sua quietude não tem paralelo nem rima, é um poema roubado à inquietação, ao improvável, ao imprevisto. Faça-se uma colagem de tudo isto, imagine-se um bombeiro no papel de salvador da pátria a escrever com a mangueira no ar, Recriaturas, e a pincelar “imagens sem dogmas nem tostões”. O poeta João Rios, desta vez para escrever poemas trocou a caneta pela tesoura. Eu imagino-o sentado a sorrir para o infinito.
— José Peixoto

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A Casa Antero de Quental acolhe a exposição 'Recriaturas – Imagens sem dogmas nem tostões', de João Rios, poeta que trocou a caneta pela tesoura nesta incursão na arte da colagem e na criação poética visual.

João Rios é o pseudónimo do vilacondense Manuel Vasques, com mais de uma dezena de livros publicados, entre os quais 'No Fogo dos Outros', 'O Cão dos Dedos', 'Súmula da Negação', 'Livro das Legendas', 'Aprendizagem Balnear' ou 'O Osso da Tristeza'. Integra o Coletivo Silêncio da Gaveta e participa regularmente em eventos literários.

'Recriaturas' inaugura a 31 de outubro, pelas 17 horas, com um apontamento poético pelo Coletivo Silêncio da Gaveta. A entrada é livre.

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A mão criminosa não existe, a mão não sabe o que faz. Ou melhor, sabe se a cabeça der essa informação ao Cão dos Dedos. O criador explica melhor quando conclui a Arrumação das Pedras, as palavras têm gente dentro e quando se revelam há sempre alguém que diz nada ou encontra outros substantivos. Este é o país dos cus de garrafa virados ao Sol e é por via disso que arde, consta que também a trovoada faz das suas e a e-redes também faísca. Somos todos inocentes ao ponto de acharmos que não há fósforos envolvidos nisto, nem gasolina que está ao preço das guerras, mas Não é Grave Ser Português. As velas ardem nos cemitérios para alumiar as almas que já não ardem. O artista é um fogareiro que se eleva entre Romeu e Julieta, e consegue Reter o Amor no Gancho do Talho, nasceu enfeitiçado No Fogo dos Outros e na alquimia do Ópio das Tempestades. No entanto, reserva-se aos anos em que perdeu o filtro e é bem capaz de suster a respiração ao observador pelo Osso da Tristeza. A sua quietude não tem paralelo nem rima, é um poema roubado à inquietação, ao improvável, ao imprevisto. Faça-se uma colagem de tudo isto, imagine-se um bombeiro no papel de salvador da pátria a escrever com a mangueira no ar, Recriaturas, e a pincelar “imagens sem dogmas nem tostões”. O poeta João Rios, desta vez para escrever poemas trocou a caneta pela tesoura. Eu imagino-o sentado a sorrir para o infinito.
— José Peixoto

Ficha Técnica

Autor: João Rios
Cartaz: António Boaventura Pinto
Coordenação: Centro de Estudos Anterianos
Local: Casa Antero de Quental

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